Convívio com animais de estimação pode ser um reforço importante no tratamento do câncer

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Cães e gatos são companhias para todas as horas. E essa presença constante cheia de amor incondicional pode oferecer um importante suporte psicológico e até ajudar durante o tratamento de doenças como o câncer. O conforto dos animais de estimação pode contribuir para a qualidade de vida desses pacientes.

Em meio aos impactos da pandemia, abrigos viram o número de adoções de cães e gatos crescer e, segundo um levantamento feito entre tutores pelo Hospital Americano Banfield, 39% das pessoas afirmaram que os animais ajudaram no controle da ansiedade. Já outros 45% responderam que ter os bichinhos por perto os tornou mais felizes.

Esse efeito é um reforço bem-vindo para pacientes em tratamento contra o câncer. As terapias com animais de estimação vêm sendo cada vez mais adotadas em hospitais oncológicos, com resultados muito importantes naqueles que estão em internação prolongada e que, muitas vezes, estão afastados dos familiares.

O suporte dos pets

Como mostram os estudos, a relação com os pets em casa tem impacto em diversos aspectos, principalmente na parte psíquica. Esses benefícios são importantes para ajudar no controle de doenças concomitantes. Os pacientes demonstram ter um melhor controle de pressão arterial e redução de estresse. O contato com os animais de estimação aumenta os níveis de serotonina e dopamina, o que deixa o paciente mais calmo e relaxado.

Além disso, em um cenário normal, a presença de cães na rotina da pessoa serve de estímulo para que ela se movimente mais, faça caminhadas e se exercite levando-os para passear. Com isso há uma inquestionável redução da ansiedade do paciente com relação ao tratamento de câncer e isso desencadeia outros benefícios como melhora da autoestima e da comunicação entre o paciente e a equipe de saúde.

Cuidados importantes

De qualquer forma, é importante ter atenção a alguns cuidados básicos para que os efeitos dessa relação não se tornem negativos. O tratamento oncológico leva a um comprometimento da imunidade dos pacientes, por isso é necessário ter atenção para evitar contaminações.

O animal precisa de acompanhamento veterinário regular. Inclusive, antes do tratamento, é interessante levar ao veterinário para avaliar se o pet tem alguma doença de pele e fazer vermifugação para controlar qualquer doença ou infecção. É fundamental que a vacinação do bichinho esteja em dia e que a higiene seja feita sempre que necessário. Nesse caso, o conselho é que outra pessoa se encarregue do processo, no entanto, caso o paciente viva sozinho, é necessário ter alguns cuidados como usar luvas para evitar contato com as fezes e urina do animal e lavar bem as mãos após essa limpeza. Também é preciso cuidado com arranhões, mordidas e evitar lambedura na face, que oferece o maior risco de infecção. Além disso, controlar o ambiente que o animal frequenta minimiza a probabilidade dele se contaminar com alguma doença.

Por mais bem-vindo que o contato com o pet seja para ajudar no tratamento do paciente com câncer, escolhas menos comuns não são recomendáveis. Algumas espécies de animais como répteis, anfíbios, aves e alguns roedores podem levar o paciente à contaminação involuntária por uma bactéria diferente como a salmonela. Em pacientes imunocomprometidos, elas são responsáveis por infecções graves. Por fim, é prudente evitar animais com maior risco de acidentes com arranhões e mordidas