Março Lilás

À medida que o mês de março chega, o mundo volta sua atenção para uma importante campanha de saúde: o Março Lilás. Este período é dedicado à conscientização sobre o câncer de colo de útero, uma das formas mais prevalentes de câncer entre mulheres. O número estimado de casos novos do câncer do colo do útero para o Brasil, para cada ano do triênio de 2023 a 2025, é de 17.010, correspondendo ao um risco estimado de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero ocupa a sexta posição entre os tipos mais frequente de câncer. Nas mulheres, é o terceiro câncer mais incidente. No entanto, é importante ressaltar que o câncer de colo de útero é altamente prevenível e tratável se detectado precocemente.

A vasta maioria dos tumores de colo uterino é causada por infecção pelo papilomavírus humano, o HPV.  A infecção persistente pelo vírus faz com que haja formação de lesões pré-neoplásicas ou pré-malignas, mais conhecidas com displasias ou NICs (neoplasias intraepiteliais cervicais).

Essas lesões ainda não são câncer, mas se deixadas no colo do útero sem tratamento ou acompanhamento adequado, podem progredir para neoplasia maligna invasora ou câncer.

O câncer de colo uterino ainda é o tumor ginecológico mais frequente no Brasil, e essa realidade pode ser mudada, uma vez que esse câncer é passível de prevenção com a vacina HPV, e tem exames de rastreamento disponíveis e eficazes como o exame de Papanicolau e testagem para presença do HPV.

Atualmente, há três vacinas contra o HPV: a vacina bivalente (Cervarix®) contra os HPVs 16 e 18, a vacina quadrivalente (Gardasil®), contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 e a vacina nonavalente (Gardasil® 9), que oferece proteção adicional contra os subtipos 31, 33, 45, 52 e 58.

A vacina quadrivalente faz parte do calendário vacinal do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e deve ser administrada em duas doses, com intervalo de seis meses, a meninas de 9-14 anos e meninos de 11-14 anos. Meninas e meninos que chegaram aos 15 anos sem completar as duas doses da vacina podem também atualizar o esquema vacinal.

Desde 2017, a vacina contra o HPV está também disponível para mulheres e homens vivendo com HIV, ou que sejam pacientes transplantados ou oncológicos. Em 2021, o Ministério da Saúde ampliou a indicação da vacinação para as mulheres com até 45 anos com uma destas condições.

Na rede privada a vacina nonavalente está disponível para todas as pessoas com idade entre 9 e 45 anos.

No entanto, a vacinação contra o HPV ainda enfrenta desafios, incluindo acesso limitado, falta de conscientização e hesitação em relação às vacinas. A vacina contra o HPV é segura, eficaz e protege contra diversos tipos de câncer, incluindo os de colo do útero, boca, vulva, vagina, pênis, ânus. Os dados disponíveis indicam que os benefícios da vacina superam significativamente qualquer risco potencial associado a ela. A vacinação precoce contra o HPV é recomendada justamente porque é mais eficaz quando administrada antes do início da atividade sexual.

Além da vacinação, o rastreamento regular através do exame de Papanicolau é fundamental na detecção precoce do câncer de colo de útero. Este exame simples pode identificar alterações nas células cervicais antes que se tornem cancerosas, permitindo intervenções precoces e eficazes.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento com o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, para mulheres de 25 a 64 anos que têm ou já tiveram atividade sexual. Os dois primeiros exames devem ser realizados com intervalo de um ano e, se ambos os resultados forem normais, pode-se realizar os exames subsequentes a cada 3 anos.

Outras modalidades de rastreamento do câncer do colo do útero recomendadas por sociedade internacionais incluem o teste HPV, que deve ser feito em mulheres de 25 a 65 anos, a cada 5 anos, ou a combinação do teste HPV e exame de Papanicolau, com a mesma periodicidade.

Durante o Março Lilás, é essencial que governos, organizações de saúde, profissionais médicos e a sociedade em geral se unam para aumentar a conscientização sobre o câncer de colo de útero, promover a vacinação contra o HPV e incentivar o rastreamento regular, sendo uma oportunidade para agir coletivamente na prevenção e no combate ao câncer de colo de útero. Juntos, podemos fazer a diferença na vida das mulheres em todo o país, oferecendo-lhes acesso a medidas preventivas e cuidados de saúde que podem salvar vidas.

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